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Especial 2019

 

40 ANOS DE RELAÇÕES DIPLOMÁTICAS PORTUGAL-CHINA | 20 ANOS DA CRIAÇÃO DA RAEM (REGIÃO ADMINISTRATIVA ESPECIAL DE MACAU)

 

Acompanhe aqui as várias inciativas e plataformas desenvolvidas em torno das comemorações:

www.macau20anos.org

www.macau20anos.lusa.pt

www.macao20.gov.mo

 

DECLARAÇÃO DO OBSERVATÓRIO DA CHINA:  40 ANOS DE RELAÇÕES DIPLOMÁTICAS PORTUGAL-CHINA

"A relevância da Sociedade Civil no âmbito dos 40 anos das Relações Diplomáticas Oficiais Portugal-China e dos 20 nos da criação da RAEM"

 

O Observatório da China considera muito positiva a participação oficial do Estado Português na iniciativa multilateral proposta pela China – UMA FAIXA E UMA ROTA, pois Portugal poderá readquirir uma nova centralidade, que há muitos séculos não tinha. Portugal poderá redistribuir, em primeira mão, para a Europa e para África, o comércio vindo pela Rota Marítima do Oriente e da China em particular. Portugal deve aproveitar a sua posição geoestratégica relevante, sem descurar os seus aliados atlânticos tradicionais, para simultaneamente reforçar a sua ligação à China (e a Macau), como uma parceria facilitadora das relações com a Europa e os Países Lusófonos, tentando enquadrar o crescimento acentuado do comércio Chinês com esses Países (em especial Brasil, Angola e Moçambique).

 

Estamos no ponto mais elevado das relações Portugal-China (e com a RAEM, que está de parabéns pelo seu contínuo desenvolvimento). A China tem-se revelado um dos líderes da liberdade de comércio no contexto da globalização. Tem feito um enorme esforço nacional na recuperação do ambiente e, internacionalmente, é um defensor do acordo de limitação das alterações climáticas. A Zona Económica Exclusiva Marítima de Portugal é fundamental, o investimento nos setores das energias renováveis, nas ligações portuárias, ferroviárias (ligação transeuropeia,…) e na nova geração da internet das coisas (5G, Huawei)será igualmente um importante contributo à economia azul. O Observatório da China congratula-se com o aprofundamento das relações com a China, nomeadamente nas áreas científicas (centros de investigação tecnológicos estratégicos sobre os oceanos e o espaço), culturais e indústrias criativas.

A participação da sociedade civil é fundamental para o aprofundamento das relações Portugal-China e contribui para anular “anticorpos” que, no interior das sociedades europeias, se desenvolvem face ao aumento da visibilidade e da competição chinesas no Mundo globalizado de hoje.

 

Para além do Observatório da China (Associação para a Investigação Multidisciplinar em Estudos Chineses) e das Fundações mais conhecidas, como a Fundação Oriente, a Fundação Jorge Álvares e a Fundação Casa de Macau, diversas outras organizações da sociedade civil, com sede em Portugal, se têm destacado na promoção da cultura chinesa. Não sendo este o espaço para analisar o papel de todas, gostaríamos contudo de identificar as que mais se destacaram nos últimos anos.

Os quatro Institutos Confúcio já existentes (nas Universidades do Minho, Porto, Coimbra e Lisboa; e, quando possível, a sua extensão às Universidades de Évora e Faro; e também, com o apoio do Ministério da Educação, a ampliação desta formação ao ensino primário e secundário) são fundamentais para a implantação de uma estratégia coerente de capacitação dos alunos portugueses com o ensino da língua chinesa, que, para além de lhes permitir melhor entender a cultura chinesa, os qualifica para uma melhor integração na vida profissional (em todas as áreas, da académica à empresarial) e em todas as geografias, da nacional à lusófona e à internacional em geral.

 

Como instituições mais ligadas ao desenvolvimento das relações económicas com a China, numa perspetiva mais global, destacamos o papel da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa, que se tem vindo a afirmar e reforçar como agregador do tecido empresarial Português. Devemos referir igualmente as Associações dirigidas por empresários Chineses, salientando a ação empreendedora da Associação de Comerciantes e Industriais Luso-Chineses, uma das instituições patrocinadoras das comemorações do Ano Novo Chinês em Lisboa. A Liga dos Chineses em Portugal é uma das mais antigas associações chinesas e têm vindo a reforçar-se no empresariado no norte de Portugal, e apoia outras associações portuguesas, como a Câmara de Cooperação e Desenvolvimento Portugal-China. A Associação de Jovens Empresários tem-se distinguido na organização de várias missões empresariais à China. Refira-se igualmente a Liga da Multissecular Amizade Portugal-China.

 

A terminar, gostaria de destacar a única entidade em Portugal que tem como membro fundador, e é atualmente presidida, pela cidade de Macau (durante o biénio 2019-2021) – a União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA). A UCCLA é uma organização intermunicipal, de âmbito internacional e multilateral, foi pioneira (1985) na cooperação livre entre as cidades dos 8 países lusófonos, a nível socioeconómico e cultural, e hoje representa 50 importantes cidades localizadas nos 5 continentes. A UCCLA está a organizar uma exposição de artes plásticas contemporâneas sobre Macau e a China, que estará patente ao público de 30 de outubro de 2019 a 20 de janeiro de 2020.

 

Com o projeto chinês da Grande Baía de Guangdong – Macau e Hong Kong, no âmbito de Uma Faixa e uma Rota, abre-se uma nova oportunidade de aprofundamento das relações socioeconómicas e culturais entre a China e Portugal e demais países lusófonos, com especial destaque para as suas cidades.

 

Rui Lourido

Presidente do Observatório da China