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Conselheiro prevê estabilidade em Macau apesar de combate ao jogo.

"A fórmula 'um país, dois sistemas' não vai mudar facilmente. A indústria dos jogos de azar em Macau certamente terá perspetivas de desenvolvimento relativamente estáveis", disse Jia Kang à agência Lusa.

O antigo diretor da Academia Chinesa de Ciências Fiscais, um influente 'think-tank' do Ministério das Finanças da China, admitiu que o país asiático perde anualmente pelo menos um bilião de yuan (125 mil milhões de euros), ou um por cento do PIB (Produto Interno Bruto) chinês, para casinos no exterior.

No mês passado, o Ministério de Segurança Pública chinês admitiu mesmo que esta fuga de capital agrava os riscos de uma crise financeira, e referiu "crescentes dificuldades" em travar operações ilegais envolvendo jogos de azar, devido ao jogo 'online' e ao uso de moedas digitais na transferência de fundos, o que torna difícil rastrear a fonte.

De acordo com a lei chinesa, quem "gere uma casa de jogo ou faz do jogo profissão" no país pode enfrentar até três anos de prisão.

Em entrevista à Lusa, Jia Kang admitiu que aquela proibição gera um efeito "colateral", já que o "entusiasmo" do povo chinês pelos jogos de azar é "relativamente alto", o que acaba por contribuir para as receitas fiscais de outros países.

"Há uma proibição local dos jogos de azar, e por isso [os chineses] vão para o exterior jogar. Com o atual suporte tecnológico, podem também jogar através de um intermediário fora do país", explicou.

O resultado é que o "capital flui para fora" e as receitas, arrecadadas através de impostos, "vão para outros Estados". 

Numa tentativa de combater este fenómeno, o Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional, o órgão máximo legislativo da China, está a rever uma emenda à lei penal que permitiria à justiça chinesa processar empresas e indivíduos além-fronteiras que atraem cidadãos chineses para apostarem em casinos no estrangeiro.

Em agosto, o regulador cambial da China, a Administração Estatal de Câmbio (SAFE), disse que ia fortalecer a supervisão do mercado de câmbio e combater crimes como "bancos subterrâneos" e jogos de azar transfronteiriços.

No mesmo mês, a China anunciou a criação de uma lista de destinos turísticos de jogo por perturbarem a "ordem comercial do mercado de turismo no estrangeiro da China".

 

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