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Grécia olha para investimento chinês em meio à recuperação pós-pandémica

Os funcionários gregos dizem que querem impulsionar o investimento da China para ajudar a economia do país a recuperar da pandemia da COVID-19.

Uma cimeira em linha reuniu, na quinta feira, com empresas das duas nações, uma vez que Atenas pretende desempenhar um papel mais importante na Iniciativa Faixa e Rota (BRI, na sigla inglesa) da China.

A BRI procura construir rotas comerciais e de infraestruturas ao longo da antiga Rota da Seda e é a assinatura da política externa de Pequim.

O ministro do desenvolvimento e investimentos da Grécia, Adonis Georgiadis, disse que o seu governo queria "restabelecer a forte relação com a China" que tinha antes da COVID-19.

Segundo Georgiadis, "é claro que a pandemia atrasou o processo, porque ainda não é possível ter viagens mútuas entre a Grécia e a China, mas queremos assegurar aos nossos homólogos que estamos aqui para resolver os problemas."

CGTN

Trem de carga China-Europa no corredor do leste registra mais de mil viagens no primeiro trimestre

O trem de carga China-Europa no corredor do leste, a partir de Manzhouli e Suifenhe, nordeste da China, registrou 1.053 viagens e transportou 99.902 contêineres padronizados no primeiro trimestre, um crescimento de 65,8% e 65,4% em comparação com o mesmo período do ano passado. Do total, a partir do porto terrestre de Manzhouli, 977 trens transportaram 93.258 contêineres, e, por Suifenhe, 76 trens movimentaram 6.644 contêineres. O número de viagem de trens de carga bateu recorde no trimestre e apresenta um ritmo acelerado.

Em 2013, o primeiro trem de carga China-Europa partiu de Manzhouli. Até fevereiro deste ano, as viagens mensais da linha ultrapassaram 300 por nove meses consecutivos.

Suifenhe, o maior porto terrestre que faz fronteiras com a Rússia, registrou uma alta de 27 viagens de trem de carga China-Europa em janeiro, representando um crescimento de dois dígitos em comparação com os 24 meses anteriores.

CRI

A China está a trabalhar com a UE em normas de investimento verdes.

A China está a cooperar com a UE para estabelecer uma norma de investimento verde reconhecida conjuntamente até ao final deste ano, como parte dos esforços para atingir o seu objetivo de ser neutro em carbono até 2060, informou na quarta-feira o Financial Times.

O Banco Popular da China (PBOC, na sigla inglesa) disse que era uma tarefa "urgente" para a China ter um pico de emissões de carbono antes de 2030 e alcançar a neutralidade de carbono antes de 2060. É também um objetivo a longo prazo para a UE ser neutra em termos de carbono até 2050, disse o Financial Times.

As duas economias alcançaram um acordo de investimento abrangente em dezembro de 2020, que facilitará os objetivos a longo prazo de combate às alterações climáticas. A cooperação bilateral em matéria de alterações climáticas está também em consonância com as reformas aprofundadas da China.

O principal objetivo do PBOC nos próximos cinco anos é coordenar com parceiros globais a implementação e normalização de um sistema financeiro verde no país, disse o Governador do PBOC, Yi Gang, no Fórum de Desenvolvimento da China, em março.

Os membros do G20 irão também discutir o aprofundamento da cooperação internacional em matéria de finanças verdes, incluindo detalhes na adoção de uma taxonomia verde mundialmente reconhecida na cimeira de outubro, quando a China planeia coordenar com os EUA a construção de um roteiro para o avanço das finanças sustentáveis, disse Yi.

CGTN

A vacina COVID-19 da Sinopharm recebe o 1º certificado BPF da UE proveniente da Hungria, "para ser mais competitiva no mercado internacional"

A China National Pharmaceutical Group, (Sinopharm), anunciou no sábado que a vacina COVID-19 produzida pelo seu instituto de Pequim, recebeu das autoridades húngaras um certificado de Boas Práticas de Fabricação (BPF), marcando a primeira para uma vacina COVID-19 chinesa a receber tal certificado de um país da UE e um passo em frente para que as vacinas chinesas se tornem um bem público global.

Os peritos em vacinas salientaram que a emissão deste certificado irá aumentar grandemente a competitividade das vacinas produzidas na China na Europa e a confiança dos pequenos países europeus nas vacinas chinesas, dada a distribuição desigual das vacinas na Europa.

A Sinopharm anunciou no sábado que adquiriu o certificado BPF emitido pelo Instituto Nacional Húngaro de Farmácia e Nutrição na quinta-feira.

A vacina Sinopharm COVID-19 é também a primeira vacina chinesa autorizada para utilização de emergência pela UE, de acordo com uma declaração da empresa.

O BPF é um sistema para assegurar que os produtos são consistentemente produzidos e controlados de acordo com os padrões de qualidade. Foi concebido para minimizar os riscos envolvidos em qualquer produção farmacêutica que não possa ser eliminada através de testes ao produto final, de acordo com a Sociedade Internacional de Engenharia Farmacêutica.

O Instituto Nacional Húngaro de Farmácia e Nutrição reviu a produção da vacina Sinopharm e obteve a documentação completa sobre os processos de produção em janeiro. A 3 de março, a Sinopharm apresentou o relatório de acompanhamento relevante ao regulador de medicamentos húngaro competente. Na quinta-feira, a Hungria emitiu oficialmente um certificado de BPF para a vacina COVID-19 da Sinopharm, em conformidade com as normas e regras regulamentares da UE.

Jiang Chunlai, professor na Escola de Ciências da Vida da Universidade de Jilin, disse no sábado ao Global Times que a concessão do certificado irá aumentar a competitividade das vacinas chinesas no mercado internacional.

Para além da competitividade, o certificado também facilita uma maior confiança nas vacinas chinesas em pequenos países europeus, disse Feng Duojia, presidente da Associação da Indústria de Vacinas da China, ao Global Times, no sábado.

A certificação de vacinas chinesas num país da UE também reflete o aumento da confiança de alguns países da UE nas vacinas chinesas e a procura de vacinas chinesas sob a atual situação de distribuição insuficiente e desigual de vacinas dentro da UE, disse Feng Duojia.

"Esta decisão tomada pela Hungria pode constituir uma referência para a futura aprovação de vacinas chinesas noutros países da UE, o que também conduzirá a um maior reconhecimento das vacinas chinesas na UE", observou Feng.

100 milhões de doses de vacinas COVID-19 da Sinopharm foram fornecidas em todo o mundo. A Hungria iniciou as vacinações em massa com vacinas Sinopharm no final de fevereiro, o primeiro país da UE a utilizar a vacina chinesa COVID-19. Há já várias semanas que não se registam reações adversas graves na Hungria, que ganhou a confiança da vacina Sinopharm no país europeu.

A China está a acelerar o seu esforço de vacinação a nível nacional com alguns locais a prometerem vacinar cerca de 40 por cento da sua população local até junho.

Desde sexta-feira, um total de 133,8 milhões de doses foram administradas a residentes no continente chinês. De acordo com o “Our World in Data”, um website de rastreio de dados, os EUA administraram um total de 157,61 milhões de doses a partir de sexta-feira.

Tao Lina, um especialista em vacinas baseado em Shangai, disse que é certo que a China pode ultrapassar os EUA na primeira metade da próxima semana no que diz respeito ao número de doses administradas.

Global Times

A China e os tempos da Europa.

1. A economia e as empresas são tributárias da geo-política. Isso significa que a geografia condiciona a política, e que por sua vez aqueles factores são determinantes para o crescimento da economia e o sucesso das empresas. Sobretudo no plano global, onde directa ou indirectamente estamos todos. Por isso os europeus, e os portugueses, não podem ficar alheios aos novos equilíbrios, ou tentativas de equilíbrios, que estão a desenhar os Estados Unidos e a China. E como raramente a política externa ou a situação internacional são em” slow – motion”, as empresas e os agentes económicos têm que saber antecipar as tendências que os podem afectar.

2. Os Estados Unidos e a China são hoje as maiores potências globais. Nos planos estratégico, político e económico. Mas também militar (aqui cabe a Federação Russa), científico, tecnológico, logístico. E disputam poder em todas essas vertentes. Não é o caso da União Europeia e da generalidade dos países europeus. Com raras excepcões que o Brexit veio diminuir. Londres, está fora. Berlim tem dias, Paris hesita. Neste jogo, os outros não contam. E assim continuamos à espera que entre em vigor o Acordo sobre Investimentos assinado entre a União Europeia e a China em Dezembro.

Nos últimos anos, a China investiu mais de 300 biliões de euros na Europa. Se analisarmos este investimento “per capita”, o país que recebeu o maior investimento foi a Finlândia. Mas Portugal, com mais de 7 biliões de euros de investimento chinês, é o segundo país europeu a beneficiar deste fluxo de capital em relação à população. Daí a importância para nós da ratificação do Acordo com a União Europeia que agora parece causar algumas dúvidas, dúvidas que Washington alimenta.

3. Para se ter uma ideia mais clara do que está em jogo, em 2020 a China ultrapassou os Estados Unidos como o primeiro parceiro comercial da União Europeia.

A China exportou para os 27 países europeus 383,5 biliões de euros, mais 5,6%do que no ano anterior. E importou 202,5 biliões, um crescimento de 2,2% em relação a 2019. O comércio entre a Europa e a China é de 1,7 biliões de euros por dia.

Para comparar: a balança comercial da China com a Europa alcançou 586 biliões de euros. O total do comércio externo de Portugal foi de 121 biliões, ou seja dois meses e meio do que a China representou para a Europa.

A China foi em 2019 o sexto fornecedor de Portugal e o nosso 14º cliente. Exportámos 569 milhões de euros e importámos um pouco mais de 3 biliões.

4. Apesar da pandemia, a economia da China viria a crescer 2,3% em 2020. Ao contrário dos nossos principais mercados (Espanha, França, Alemanha, e Reino Unido). Todos com fortes quebras nos índices de crescimento. A China constitui assim um dos mercados extra-europeus onde as nossas empresas poderão compensar a quebra dos seus clientes da União Europeia, que representam mais de 70% das nossas exportações. E que irão demorar alguns anos até atingir os níveis anteriores. Para não falar no turismo.

Ao contrário do que sucede em muitos países europeus, as compras e as vendas de bens e serviços ao exterior representam em Portugal mais de 90% do PIB. Daqui a prioridade para a nossa diplomacia económica assegurar mercados que compensem as previsíveis tendências regressivas. Entre os quais o mercado chinês, o único com índices de crescimento significativos nos dias de hoje e com um aumento esperado de 6% no ano corrente.

5. A Europa tem vindo a definir e assumir objectivos claros para superar a crise. E a impor esses alvos aos países, como Portugal, que mais se propõem beneficiar do Plano de Recuperação e Resiliência. A renovação tecnológica, com o ponto de mira na digitalização, implica largos investimentos em infraestruturas que irão servir aquela inovação. Assim a Europa poderia marcar presença activa numa futura ordem global. Mas está a dar-se conta de que não pode excluir empresas que inovam noutras geografias, sejam americanas ou chinesas. E aqui a Europa mergulha num conflito latente que não é dos europeus.

Há alguns dias um jornal de referência em Espanha, “El País” (20 de Março) titulava um artigo “A tensão entre a China e os Estados Unidos está a fazer mal à ciência”

Também o “think tank” norte–americano Brookings publicava um estudo do John L. Thornton China Center que referia: “os Estados Unidos impuseram muitas sanções tecnológicas e comerciais à China nos últimos anos. Algumas são importantes e efectivas. Mas muitas são simbólicas e ineficazes, afectando mais os interesses dos Estados Unidos do que os da China”. E da Europa, acrescentamos nós.

Aliás, o Governo chinês iniciou já há algum tempo uma clara política para disciplinar e impor regras às plataformas tecnológicas mais importantes. Tal como procura fazer o Congresso norte-americano. Não apenas para evitar a divulgação de “fake news”. Mas também para regular pagamentos digitais, evitar monopólios e disciplinar o mercado. Tudo isto exige diálogo e equilíbrio. Como a visão multilateral, as regras no comercio internacional, as alterações climáticas, a aplicação do direito internacional e a definição de linha vermelhas. Matérias onde os Estados Unidos, a União Europeia e a China deviam querer encontrar-se.

6. A nova administração americana, por enquanto com muitas mudanças de tom e outras substanciais em relação ao “America First” de Trump, tenta regressar ao mundo. Esperava-se que fosse um regresso menos controverso. Veja-se a recente reunião com a China, no Alaska. Território aliás comprado ao Czar russo Alexandre II pelos Estados Unidos, em 1867.

A diplomacia parece ter cedido à propaganda. Os responsáveis americanos falaram para a galeria e os chineses responderam, sempre em público, subindo a linha das acusações. Como comentou Carlos Miranda, meu colega espanhol na NATO há alguns anos, “acabaram à bofetada limpa diante das câmaras”. A somar às acusações pessoais de Biden a Putin, parece que a diplomacia americana ainda anda à procura de um registo adequado às suas novas ambições. Nada disto é bom para a estabilidade política e para a economia que precisa de recuperar da onda negativa da pandemia.

No entanto, a larga maioria dos Estados Membros da ONU, e até aliados europeus, não partilham o sentido do encontro de Anchorage e não encaram a China como uma ameaça. Na dimensão que Washington propõe. Por razões históricas, que Portugal recorda melhor que muitos outros, mas também por interesses geo-políticos, estratégicos, económicos e até culturais. Conviria ter presente, como por vezes aqui se recorda, que somos aliados dos Estados Unidos, mas amigos da China. Com quem temos um diálogo estratégico institucionalizado.

7. Alguns responsáveis políticos ocidentais parece que descobriram agora dois factos: que a China é um país com uma ideologia precisa, e que desde 1949 que tomou essa opção com Mao; e que o desenvolvimento económico não alterou essa escolha, com Deng Xiaoping desde 1978 e Xi Jiping desde 2012 a terem mantido os rumos ideológicos. Além disso, a China herdou e cultiva uma civilização própria, com valores que conviria ter presentes. Talvez relendo os sinólogos que ainda vamos tendo no Ocidente e que nos ajudam a entender esses conceitos. Uma percepção distinta de valores existiu sempre, desde a antiguidade. Não deve condicionar o relacionamento internacional. Nem a importância dos tempos em política e dos mercados em economia.

E é por isso que a Europa, e os europeus, devem ter uma identidade e uma política próprias neste caso. Sobretudo países como Portugal.

Não ganhamos muito em sincronizar sanções à China com outros, tratando-se de instrumentos diplomáticos que a Europa raramente utilizava. Tanto mais que são decisões europeias que implicam medidas nacionais, o que nunca é explicado. E levam a escaladas de consequências imprevisíveis em tempos difíceis para os europeus.

Qual é a mensagem que a Europa quer passar? Nos tempos das suas prioridades e dos seus interesses ou por conta de outros? Para além da política, tudo isto tem implicações económicas, e até sociais, que interessam também às empresas portuguesas.

É que não fica uma ideia clara da densidade e do alcance que a União Europeia quer para a sua autonomia estratégica.

ECO SAPO

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