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Portugal no meio da Guerra Fria EUA e China.

No 1º de Maio, em plena pandemia, Marcelo Rebelo de Sousa recebeu um telefonema de Donald Trump — falaram 15 minutos. No mesmo dia, Belém divulgou uma nota a revelar o teor da conversa. Uma semana depois, o Presidente chinês Xi Jinping telefonava a Marcelo — conversaram 40 minutos (embora o tempo útil fosse idêntico ao de Trump por causa da tradução). Belém publicou outra nota a divulgar o teor do contacto. Os Estados Unidos estão numa guerra global com a China — a perspetiva da proibição da TikTok nos EUA é só o episódio mais recente —, mas nas conversas entre os chefes de Estado não se falou dos temas mais quentes da competição entre os dois países em Portugal, segundo apurou o Expresso. Nem Trump nem Xi mencionaram a EDP ou a REN, as redes 5G ou a responsabilidade pela disseminação do novo Coronavírus. Marcelo ainda tentou puxar pela conversa do investimento no novo terminal do porto de Sines, mas nenhum lhe deu saída.

No campo de batalha português desta nova Guerra Fria — Francisco Louçã escreve no caderno de Economia que esta é diferente da anterior por causa da interdependência económica —, as duas maiores potências mundiais movem-se com estratégias diferentes: a China comercialmente agressiva é mais discreta do ponto de vista diplomático, enquanto os EUA são agressivos na diplomacia mas lentos no investimento. Entre dois gigantes, Portugal tenta manter o equilíbrio entre o “aliado” americano e o “parceiro” chinês, uma retórica para mostrar a hierarquia das relações, mas os norte-americanos têm sido muito vocais a mostrar desagrado com o aprofundamento das relações luso-chinesas.

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