A OCHRE SPACE inaugurou ontem, terça-feira (27) a exposição “Appearance and Abstraction” do fotógrafo chinês Li Gang.
"Appearance and Abstraction" explora as fronteiras entre a fotografia e a abstração através de um tema inesperado: o do cavalo. Há mais de uma década que o artista dedica a sua prática fotográfica aos cavalos das estepes mongóis, tendo evoluído da observação do seu dia-a-dia para representações cada vez mais poéticas e experimentais. Nesta exposição, em vez de os fotografar como sujeitos reconhecíveis, Li Gang aproxima tanto a sua câmera dos animais que as suas formas se começam a dissolver: uma curva torna-se uma paisagem, uma crina transforma-se numa linha, uma mancha ocupa toda a tela.
A exposição é inspirada num paradoxo filosófico formulado pelo pensador chinês Gongsun Long no século II a.C.: "Um cavalo branco não é um cavalo". É estabelecida uma distinção entre a forma e a cor que questiona a relação entre os nomes que damos às coisas e as coisas em si. Li Gong transpõe assim este paradoxo para o universo visual, e a sua linguagem artística une as qualidades expressivas da arte tradicional chinesa às possibilidades formais da abstração ocidental.
O artista, nascido em Henan em 1947, recebeu inúmeras distinções pelo seu trabalho fotográfico, incluindo o maior prémio da área do país - o "China Photography Golden Statue" em 2009. As suas publicações incluem Reincarnation (2016) e Appearance and Abstraction (2019), sendo esta última reconhecida pelo prémio "The Beauty of Books in China" em 2020 - a principal premiação de design de livros chinesa.
A exposição estará disponível para visita até dia 14 de novembro, de quinta-feira a sábado, das 15h às 18h30. Uma extensão da exposição estará também presente no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) até à sua data de conclusão.
Mariana Coelho